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Comentários soltos na véspera do Círio 2007
Minhas filhas são maravilhosas. Provavelmente as suas também são especiais e únicas, mas as minhas são minhas e isto as coloca em permanente vantagem sobre qualquer outra. Tenho certeza que você entende isso perfeitamente. A menos que você não tenha filhos ainda, e viva achando que é a mesma coisa amar um sobrinho ou uma criança carente que você resolveu apoiar. Critique, se quiser, mas ponha crédito na minha afirmação: tive minha primeira filha já com quase 35 anos, e de um jeito ou de outro (sobrinhos, filhos de amigos, etc.) tive diversos contatos com crianças antes das minhas. Nesse momento estou vendo uma das "obras" das meninas. Nem sei que qual foi, mas pelo tipo de traço, deve ter sido da Gabriela, que está com pouco mais dois anos. Gabi é magrinha, e se seguir a linha dos primos cariocas, que foram crianças magrinhas que "esticaram" muito depois, vai crescer muito, mais hoje minha Gabi é pequena e magrinha. A arte que eu vejo é na parede atrás da mesa do computador onde estou. Sim, minha parede outrora pintada de branco gelo agora tem traços que devem ser impressionistas, pois me impressiona como ela conseguiu escrever ali! Não cabe uma perna minha naquele espaço, nem a Gabi, por menor que ela ainda seja hoje. Como essa miúda chegou lá? Mas chegou... e riscou!!! Morreu Paulo Autran. Que sua chegada no seu destino seja de muita paz, e que aqueles que o amam estejam lá para acolhê-lo. Nunca assisti Paulo Autran no teatro. Diversas vezes, em curtas passagens de férias ou trabalho no Rio, lia sobre peças suas no caderno de cultura do O Globo, mas nunca fui. Adoro filmes e livros, mas nunca fui amante do teatro. Sou de uma época em que o Bussunda apresentava o "Cabeça Feita" na TVE e o Planeta Diário era um jornalzinho underground, onde a gente podia comprar umas camisetas escritas em letras grandes "Vá ao teatro" e em letras miúdas "... mas não me convide". Os anos 80 foram um barato... o fim da ditadura permitiu a eclosão de coisas que nunca mais se repetirão... Hoje vou ao teatro, por causa das meninas. O Teatro da Paz, um belíssimo teatro com uma acústica única (li isso dito por alguém que entende, e repito aqui...), tem sido palco das apresentações de dança delas. Vou meio a contragosto, pois são meses de ensaio, dinheiro gasto com roupas, maquiagem em cada dia que há apresentação, e ainda tenho que pagar o ingresso para ver minhas filhas dançarem três minutos!!! O resto do tempo são as professoras que não conseguiriam encher um teatro para serem assistidas, e uns dançarinos convidados vestidos de Peter Pan (aquelas malhas coladas não parecem o figurino da Terra do Nunca ?), dançando conforme o tema do espetáculo, até o final do mesmo... A outra arte de uma das meninas esta na porta do meu armário. É da Amanda, com certeza. Está até assinado. Quando a gente é solteiro e sem filhos, se gasta um dinheirão personalizando suas coisas: viaja pro Nordeste e traz chaveiros com seu rosto na frente de um monumento; grava seu nome em canetas cuja comissão da venda garante o jantar do vendedor, embora ele nem consiga pronunciar corretamente o nome da mesma; ou paga regiamente um artesão de rua para ele gravar em madeira algo do tipo "Casa do Fulano. Bem vindo os homens de bem e os canalhas também...", placa esta que lá pela terceira mudança ou terceira década de vida se conclui que é melhor jogar fora... Isso sem falar nas latinhas de cerveja personalizadas, que de tanto guardar, "chocaram" e tiveram que ser jogadas fora. Pois agora, custando somente o amor da minha garotinha, o meu armário está personalizado pela arte da minha filha, pela imagem aí ao lado. Minha primeira reação foi de lamentar a "pichação" do guarda-roupa que ainda nem pagamos, ainda mais eu, que, menino pobre, sempre fiz minhas coisas durarem acima do normal, afinal nunca sabia quando poderia ter outro. Meus brinquedos, alguns muito bons, presentes dos meus tios ricos por parte de mãe, acabaram ficando para meu sobrinho mais velho, Andinho (hoje já um cidadão de 27 anos e 1,90...), que, como toda criança deve fazer com seus brinquedos, acabou com todos eles brincando... Pois é como disse, fiquei meio "assim" quando vi a arte, mas depois sorri. Como é bom ter alguém que faz isso pra gente... As artes da Glória estão espalhadas pela casa. Desenhos, pintura, gesso e dobraduras em papel. Os desenhos em papel consomem todas as folhas A4 que compramos. E como artistas chiques, tem seus repentes: nenhuma delas gosta de papel "sujo", já escrito de um lado. Tem que ser novo. Antes eu comprava daquele papel mais caro, agora só esses "Jandainha" da vida, que cumprem muito bem seu papel...de papel!!! Na parte musical, existem trechos que já foram ensaiados no piano tantas vezes que já estou eu quase para sentar e tocar... Fora as artes da cozinha... Mas não vou nem alongar nisso, pois está quase na hora do lanche, é melhor não pensar em comida agora para não arrebentar... A arte da minha esposa? Como não quero gerar inveja e atrair olho gordo, ficarei com apenas um talento da minha esposa: gerar essas meninas. Quanto aos outros, sou discreto e egoísta, vou literalmente guardar pra mim. Eu? Eu sou um espectador privilegiado... Pois é, hoje é véspera de Círio. Nossa Senhora de Nazaré já passou de barco aqui na Baía de Guajará, pertinho de minha casa, os fogos já se estouraram, os helicópteros da televisão já se foram, tudo pronto para a Trasladação mais a noite e para a grande procissão amanhã. Com direito, por mais humilde que seja a família, a um almoço de Círio amanhã. Seja um patarrão ou um franguinho, mas sempre tem algo no tucupi. Para quem não sabe o que é Círio, procure no Google ou veja no Jornal Nacional de sábado 13 de outubro. Belém só aparece no JN no Círio ou quando alguém mata uma freira americana por aqui... Uma dica: o Círio é a festa da família paraense. Aqui o clima é tórrido, temos deficiências de saúde pública e temos décadas de atraso social e urbano para tirar, mas pelo menos, temos dois Natais!!! Bom Círio 2007 pra vocês!!! De repente 30. E 40,50...Sábado próximo passado, 27 de janeiro de 2007, eu, minha esposa e minha filha Amanda estávamos no shopping Iguatemi, comprando um guarda-roupa para nossa casa. Enquanto minha esposa acertava detalhes finais junto a vendedora, levei Amanda para o parquinho indoor que tem no shopping. Ela sempre quer ir, impressionante. As vezes estou cansado, apressado ou algum daquelas dezenas de 'ados que usamos para negar esses pedidos, mas acabo sempre levando. E vendo-a brincar na "xícara", pensei que tenho que levar sempre que posso. Aquele brinquedo sem sentido, girando no próprio eixo e dando voltas, e uma alegria tão grande no rosto da criança. Amanda é grande, já lê, mas tem apenas cinco anos. Faz seis agora dia 20 de fevereiro. Pensei que, de repente, sem que a gente nem note, um dia aquilo não vai mais ter graça pra ela. Não vai mais pedir pra ir. Não vai mais sorrir por estar girando. Não vai por a mão pra fora para bater na minha, no giro do brinquedo. De repente, 10 anos. De repente 20,30,40... Como no filme da protagonista do série Alias, De Repente 30, onde uma mocinha de repente acorda com 30 anos. Eu sei, Tom Hanks já fez isso antes, mas quando se é pai de meninas sempre faz mais sentido com uma atriz... se é que uma estória dessa pode fazer sentido... Deixa minha garotinha ser criança enquanto ela quiser ser, pois de repente um dia... pum, acabou! Vou procurar não inibi-la nem adiantá-la. Meu Deus, nada tão bom como ser criança. Lembrei de mim, olhando minha filha. Quando menino, eu era goleiro, e dos bons, e como ninguém gosta de jogar no gol, sempre tive colegas mais velhos, pois eu sempre participava dos jogos com eles. Mas eu era um menino ainda... Determinada vez, estava brincando de bang-bang, com meus colegas da mesma faixa de idade (Valter, Ricardo, Darlan...). Dentro dos nossos limites de posses, caracterizados, com coldre amarrado na coxa, alguns até com chapéu, dando tiros com a boca e nos protegendo atrás das amendoeiras. Ao passar do lado do campo, fui tão "zoado" pelos meus colegas maiores que fiquei sem graça. Continuei brincando, mas fiquei achando se eu não estava grande demais para aquilo. Não estava, mas fiquei encucado... Sabe Deus o que eu me adiantei sem necessidade... Agora, tenho quarenta, e qualquer fantasia que não seja de Papai Noel para divertir minhas filhas, é tão inadequado quanto essas calças de cintura baixa usado por balzaquianas, ignorando tudo o que Sir Isaac Newton nos ensinou sobre a lei da gravidade... Para minha esposa Márcia, no apagar das luzes de 2006Vai findando o ano de 2006. Em alguns lugares do mundo, já até é 2007. Afinal, são 19h23 aqui na cidade onde moro. Tenho bastante coisas que tenciono botar neste espaço, coisas que ocorreram de novembro até hoje, 31 de dezembro, mas não quero findar o ano sem publicar algumas palavras para minha esposa. Ouço no momento a música "Let It Grow", do grupo Renaissance. Gosto muito dessa música, assim como outras dos anos 70 e 80. Gosto nem sempre compartilhado pela minha esposa. Eu e minha esposa somos diferentes. Em diversos aspectos. E como essa diferença nos faz crescer ! Me faz ver coisas com olhos que não são os meus, com abordagens absolutamente opostas às minhas, com análises que não compõem o meu ponto de vista. Nem sempre é fácil, as vezes nem agradável é, mas faz parte dessa coisa maravilhosa chamada convivência, cumplicidade, conhecimento mútuo, confiança e crescimento. Já dizia Buda, o melhor caminho é do meio. E a gente vem aprendendo, buscando o equilíbrio, dando e recebendo, concordando e divergindo, evoluindo juntos, já desde o século passado. E continuaremos assim por muito tempo, até que Deus leve um de nós. De preferência que nos leve juntos, mas não sei se somos merecedores de tal graça. Mas, meu bom Deus, o pedido está feito. E nossa vida segue, mais ou menos como diz a música, "growing". Cresce o amor, cresce o conhecimento, cresce a afinidade, cresce a complacência, cresce a tolerância, cresce a admiração. Minha esposa é minha família, minha melhor amiga, minha amante e minha consciência. Além de diversas outras coisas que nem consigo descrever. E para minha imensa sorte e felicidade, a mulher que eu amo além de tudo é linda... Bravura é um conceito relativo...Era a metade do mês de novembro, e senti uma dor no peito enquanto trabalhava. Começou depois do almoço, e parecia a dor da piada: só doía quando eu respirava... Dorzinha fina, chata, persistente... Fui pra casa ao término do expediente e me deitei, na esperança que a dor passasse. Não passou. Por episódios como o do Bussunda e outros, quem tem, tem medo. Lá pelas oito da noite, acolhi a sugestão da minha esposa, e fomos para o Hospital Porto Dias. Se fosse pra ter um troço, que fosse dentro do hospital. Atendimento de urgência. Só um médico no turno. Três pessoas na minha frente. Se essa é a urgência, imagino os outros casos... A médica nos atendeu, e depois de alguns testes, só atestou alteração de pressão: 16x10. Mas me encaminhou para um exame de sangue, eletroencefalograma, radiografia do tórax e medicação. Lá descobri porque o comprimido sublingual de pressão fica embaixo da língua. Achando que estava demorando a dissolver, fui mexê-lo com a língua e... Jesus, o troço tem um gosto horrível!!! Daqueles de você ficar fazendo careta de forma incontrolável... Mas a barca segue: para ministrar um remédio em forma líquida, uma agulha foi enfiada no dorso da mão esquerda, e começou o "pinga-pinga". O enfermeiro conseguir achar a veia na mão já foi um pequeno suplício, mas o que se seguiu foi pior: a pressão despencou, 10x6. Um mal estar horroroso, uma suadeira danada, e ânsia de vômito. Minha esposa chamou o enfermeiro, e ele disse: "é assim mesmo, respire fundo que vai passar e caso vomite, faça neste cesto." Respirar era uma orientação desnecessária, convenhamos. E acertar o cesto uma orientação impossível. Eu, se começasse a vomitar, ainda iria ficar brincando de "tiro ao alvo" ? Mas rapaz... A única boa desse stress foi que nem senti quando tiraram sangue no braço direito. O fato é que acabei melhorando mesmo, e finda a medicação, seguimos para a radiologia, onde enfrentamos nova espera. Com todos os exames, voltamos a médica, que disse que se fosse enfarte já teria aparecido no exame de sangue, onde nada acusou, tal qual o EEG. Ficou então a suspeita de algo muscular. Liberados, compramos um remédio e fomos pra casa. Nos dias seguintes, a dor no peito sumiu, mas senti dor na base da coluna. Márcia, minha esposa, comprou um anti-inflamatório, desconfiada no nervo ciático, e me aplicou um "Salonpas", um adesivo com anestésico ou coisa do gênero, tipo "Emplastro Sabiá". Melhorei um pouco, e ao fim do dia, resolvi tirar aquilo da minhas costas. Sou um homem com bastante pelo no corpo. Rapaz... quando puxei, aquele troço veio com uns cento e cinquenta gramas de pelo... vai doer assim na baixa da égua, como dizia vovó... Achei que tinha enfrentado com bravura e galhardia todas as furadas, raspadas e picadas do atendimento médico. Agora, vejo que brava é minha esposa, de vez em quando está no salão fazendo depilação... A bola, a foto, a carne e a família: 40 anosCompletei quarenta anos setembro próximo passado. Por compromisso de trabalho, passei a semana do aniversário em Brasília. Meu companheiro de quarto, no dia do aniversário, foi se encontrar com um casal de amigos dele. Gentilmente me convidou a ir, mas declinei da oferta. Fiz quarenta anos num treinamento de Certificação Digital e jantando sozinho na Vivenda do Camarão, no cerrado. Mas não estava triste. Aos dez anos, achava que não ia ganhar nada, mas sem entender as profundas dificuldades financeiras do meu pai, fiquei o dia todo dando indiretas, largando publicidade de lojas pela casa, e nenhuma movimentação. Não houve festa, mas de noite meu pai me deu uma bola. Uma dessas "dente de leite", coisinha barata, mas eu fiquei tão feliz que é difícil explicar. Meses depois, minha bola acabou furada por uma doida na frente da casa do Clóvis, mas não teve problema: eu já a tinha ganhado. Ninguém mais me roubaria isso. Ou furaria... Aos vinte, um pequeno bolo na casa do meu pai. Foi o último aniversário que eu fiz morando no Rio. Duas semanas viajei para Belém sem saber ao certo quanto tempo ficaria, e a incerteza já dura vinte anos. Já tenho até habilitação tirada aqui !!! (veja os blogs anteriores) Tenho as fotos do meu pai ainda jovem, com os cabelos pretos e a saúde lá em cima!!! Uma boa recordação, sem dúvida. Aos trinta, um churrasco desses de dia inteiro com amigos de diversos lugares. O churrasco durou o tempo previsto, mas as amizades não. As pessoas, mesmo queridas, foram se afastando pelos rumos da vida, meu e deles. E aos quarenta, eu só em Brasília. Mas eu realmente não estava triste. Minha família bateu parabéns pra mim, mesmo com minha ausência. Minhas filhas sopraram o meu bolo. E me mandaram mensagens pelo celular, além de falar comigo. Senti falta de estar com elas, mas eu sabia que tinha para onde voltar. Na véspera da minha volta, caiu o avião da Gol, o fatídico vôo 1907. Condolências às famílias e luz aos espíritos libertados. Mas eu pude voltar pra casa. Tive do que sentir falta, lamentei a ausência mas pude voltar para matar a saudade da minha família. Foi um bom aniversário, pelo conjunto da obra. Os cinquenta ? Vamos esperar... A Márcia o que é de MárciaAmanda, com cinco anos, já está lendo tudo. Já escreve também, mas ainda tem dificuldade com algumas palavras e letra cursiva. Como eu recebo pelo menos uns dois e-mails por dia com adultos escrevendo exceção com dois S's e próximo com "C", acho que a grafia da minha filha está uma maravilha. Meu pai diz que ele tivesse estudado ele era doutor. Acredito nisso. Ele não conhece a Lei Angular de Tales e e nem sabe a capital do Afeganistão. Mas sempre demonstrou inteligência e sabedoria para saber viver e se deslocar pelo meio onde transitava. Eu estudei e consegui a minha graduação superior. Mas só pude entrar na escola primária (na minha época se chamava assim) quase com oito anos pois a escola pública no Rio de Janeiro na década de 70 só aceitava crianças com sete anos completos. Mesmo com três turnos diários, não tinha vagas para todos. Eu comecei melhor que meu pai e dei uns passinhos a frente. Minha filhas estão começando melhor do que eu e espero que dêem mais passos a frente, ainda maiores. Mas nesse episódio da leitura, méritos a minha esposa. Foi ela quem "peitou" a escola, dizendo que o ritmo era fraco, e provando que bastou um pequeno estímulo para que Amanda começasse a ler. Bastaram três semanas com uma professora extra três horas por semana, e Amanda começou a ler tudo. Um dia, falando com ela, minha esposa disse - "Sim, filha, você já está lendo, mas graças a mã... graças a mã..." e ela completou - "Da". Sabemos que foi graças a mamãe, mas que ficou engraçado ficou. Graças a a mã...da. Graças a Amanda, de ter conseguido aprender, mas graças a mamãe de ter feito acontecer. A Márcia o que é de Márcia... O brasileiro que precisou provar que estava vivoPronto, já sou um brasileiro devidamente habilitado. Mas me sinto como o brasileiro do título, que por um erro de cartório precisou provar que seu atestado de óbito era um erro. Depois de dirigir por 22 anos, fiz minha prova de direção, fui aprovado e tirei minha primeira habilitação (na jurisdição Pará, é óbvio). Mas depois de tantos anos de prática de direção, ainda perdi um ponto: tive que ultrapassar uma carroça (isso mesmo, uma carroça, nos arredores do Mangueirão, o estádio da cidade. Belém tem disso...) e a monitora disse que eu não sinalizei para voltar. Achei melhor não contestar. Fiz minha baliza e fui pra casa, esperar a carteira chegar. Minha carteira chegou e também um e-mail do Detran do Rio. O processo criado pela minha solicitação de pesquisa de prontuário entrou em estado de arquivamento provisório, aguardando "manifestação do interessado". Algo me diz que na verdade eles não ficariam satisfeitos de ouvir minha manifestação... Minha carteira vale um ano (é uma primeira habilitação, lembra ?), e se eu não cometer minha infração nesse período, ano que vem receberei a outra valendo cinco anos. E aí entro no ciclo de renovação, como todo brasileiro quarentão... Mas espero que psicotécnico, prova prática e baliza, tenha sido a última vez... Anacronismo é isso...Por razões que até o padroeiro dos motoristas São Cristovão desconhece, estou tendo que tirar uma nova carteira de motorista. Isso mesmo, primeira habilitação. Minha primeira carteira era do Rio de Janeiro, emitida em 1984, num tempo que os computadores eram novidade e sistemas que funcionassem uma raridade maior ainda. Quando da minha solicitação de transferência dos dados da minha carteira para a jurisdição do estado onde moro hoje, o Detran RJ não achou minha carteira. Abriram um processo e pediram que eu fosse ao Rio levando a ata da minha prova de direção. Indiretamente, me disseram - "tira uma nova que é mais fácil...". E cá estou eu, fazendo teste psicotécnico (o laudo foi "apto", logo louco não sou...), exame de saúde (pelos próximos cinco anos, posso fazer tudo no trânsito...), prova de legislação (acertei 28 em 30, entendo de meio-ambiente a mecânica básica...) e vou fazer prova prática. 22 anos dirigindo e vou fazer prova prática... Minha esposa já tinha me ensinado o real sentido da palavra "anacrônico" (por causa de um texto que li, onde um transeunte usava uma gravata plastron, e o autor dizia que era uma vestimenta anacrônica, achei que era sinônimo de "cafona"), mas agora sinto na pele o que é anacronismo... anacronismo é um gordinho de cabelos prateados tirando primeira habilitação, pegando senha para atendimento junto a jovens recém-saídos da adolescência, alguns deles ainda de aparelho nos dentes... Palavra de bêbado !!!Estava passando o final de semana em Mosqueiro, na casa de praia dos meus sogros. Com o desabastecimento de água que abateu-se sobre o distrito, e com a necessidade de água mineral para uso pela minha caçulinha, rodamos pelas ruas atrás de água. Encontramos uma pequena venda, na rua 16 de Novembro, vendendo garrafões de cinco litros. Minha esposa não é de esperar para resolver as coisas, e assim que estacionei o carro, ela foi logo saindo do carro e se dirigindo ao depósito para comprar a água. Nesse momento, um senhor magro, com uma bolsinha na mão, passou perto da janela do carro e disse - "O cara quando é gordo é fogo, já nem sai mais do carro pra fazer as coisas; eu já fui gordo assim..." e foi se afastando, naquele passo peculiar dos bêbados. Pensei com meus botões, mesmo estando de camiseta - "Puxa, o cidadão está embrigado as seis da tarde..." E ri dele dizendo já ter sido gordo. Com aquela magreza de quem se fosse pego pelo caminhão do osso daria para fazer no máximo um pente e dois botões, era algo difícil de acreditar. No dia seguinte, passando pelo mesmo local quase a mesma hora, lá estava o mesmo cidadão atravessando a rua, com a mesma sacolinha de ferramentas, e igualmente bêbado como um gambá, tal qual na noite anterior. Com tanta "cana" no bucho, comecei até a acreditar que ele já tinha sido gordo mesmo. Mas a esse preço, não dá: deixe-me com meus quilos a mais porém com meu fígado em bom estado... O ser humano, esse eterno insatisfeito...Glória, minha filha mais velha, gosta de cozinhar. É tudo que eu precisava na vida: ser gordo, velho, sedentário, diabético e ter uma filha que gosta de cozinhar. Ela faz pizza, biscoitos, bolinhos, sorvetes, gelatinas e coisas afins. Enquanto os pais em geral tem problemas com seus filhos no uso da internet, o histórico de navegação dela é panelinha.com.br, tudogostoso.uol.com.br e congêneres. Sim, eu olho o histórico de vez em quando... Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, já dizia vovó. A arte mais recente dela é um "sorvete de danoninho", servido em palitinho de dente. Sim, a porção é modesta, mas depois do décimo sexto palito começa a pesar... Mas como aqui em Belém faz um calor danado, não deu tempo de comer todos os que ela trouxe, antes que eles derretessem. Salvo pelo clima, já que o bom senso foi pras cucuias... A primeira frase de GabrielaEstávamos indo para uma consulta regular com a pediatra das crianças, mas antes paramos para pegar o resultado de uns exames da Glória. Sendo uma dessas tardes muito quentes do verão paraense, deixei o ar condicionado do carro ligado com minha esposa e as meninas, enquanto eu desci sozinho para pegar o resultado. Quando voltei, minha esposa empolgada me contou que minha Gabizita formulou sua primeira frase - "Cadê papai ?". Pai babão, fiquei todo alegre com a fluência verborrágica de minha caçulinha... Que Deus permita que eu e minha esposa, minha companheira e base de nossa bela família, sempre estejamos ao alcance de nossas filhas, em todas as necessidades que elas possam ter, e mesmo naquelas inevitáveis situações de vida onde nem os pais podem prover solução, que possamos sempre prover alento, apoio e compreensão. "Papai está aqui, minha caçulita..." Os vendedores e o avanço da tecnologiaEu e minha esposa fomos almoçar no shopping. Passamos em frente ao stand de vendas de uma marca de artefatos para exercício doméstico. Temos em nossa casa uma esteira elétrica, que para minha esposa sempre foi extremamente útil para seus exercícios na segurança de nosso lar. Pra mim, foi o cabide mais caro que já comprei... Mas voltando ao stand, fomos conversar com o vendedor. A esteira atual que ele ofereceu faz tudo, é inteligente, programável, só falta fritar ovo. Quando minha esposa ponderou sobre fazermos uma negociação envolvendo a velha, que afinal ainda funciona bem, ele foi logo dizendo "vai ser difícil, essa sua não tem amortecedor, a inclinação dela não zera, o painel só tem as funções básicas, etc, etc.etc.". Impressionante como a esteira que era exatamente o que minha família precisava, em quatro anos já não serve nem como moeda de troca. E ainda descobri, depois que quatro anos, que ela "estoura" meu joelho... Dia dos Pais de 2006Tenho três filhas. Por enquanto, só. Durante o ano inteiro são os trabalhos da escola, leva e traz do balé, ensaio do espetáculo, passeios na praça, idas ao shopping, milk shake no aeroporto. Mas no dia dos pais eu tenho um retorno que vem se somar a convivência diária com elas: meus presentes. Tudo bem que quem banca ainda somos eu e minha esposa, mas já estamos plantando o hábito de presentear os ascendentes. Já me vejo em alguns anos, todas formadas e com bons empregos vindo a nossa casa e deixando embalados uma filmadora, um home theather e um notebook... Mas por enquanto, como disse, quem banca somos nós. E fomos, eu e minha esposa numa grande loja de departamentos de Belém, comprar umas roupas. O vendedor nos indicou uma seção onde tinha "tamanhos especiais". Pensei - "tamanho mastodonte, tamanho mamute...". Chegamos lá e minha esposa pegou uma bermuda "M". Incrédulo, fui ao provador. Coube. Compramos umas quatro peças. Afinal, você imagina há quantos anos não visto uma roupa "M" ? |
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